O Efeito Mozart aumenta a sua inteligência?

O Efeito Mozart aumenta a sua inteligência

Você já deve ter ouvido falar sobre “O Efeito Mozart” (The Mozart Effect). É a ideia de que se as crianças ou bebês ouvirem músicas compostas por Mozart eles se tornarão mais inteligentes.

Afinal, é verdade ou mito a ideia de que ouvir Mozart aumenta a inteligência?

Capa do CD Efeito MozartEm uma rápida olhada na internet você encontra uma enorme variedade de produtos, como livros e CDs, que prometem auxiliá-lo nessa tarefa.

Do ponto de vista científico, porém, não existem muitas evidências de que essa prática pode, realmente, aumentar a inteligência.

O Efeito Mozart foi descrito pela primeira vez pelo médico francês Alfred Tomatis em seu livro de 1991 intitulado “Pourquoi Mozart (Por que Mozart?).

Tomatis desenvolveu uma terapia alternativa (Método Tomatis) baseada no uso da música clássica de Mozart com o objetivo de tratar desordens auditivas, psicológicas e de aprendizado.

Para saber mais sobre o método Tomatis, clique aqui para acessar o site internacional e aqui para o nacional.

Someone may ear well but listen poorly (Alfred Tomatis).

Publicação de Rauscher na Nature

Mas a coisa começou a pegar fogo quando, em 1993, Rauscher et. al. publicou um artigo científico na revista Nature, intitulado “Music and Spatial Task Performance”, concluindo que ouvir Mozart durante 10 minutos antes de realizar os testes aumentou em alguns aspectos a inteligência espacial dos participantes.

O estudo de Rauscher não mencionou que ouvir Mozart aumenta o QI ou a inteligência de uma forma geral.

O artigo do colunista do New York Times

Apesar disso, em 1994, o colunista musical do New York Times, Alex Ross, publicou um artigo revelando a mais nova descoberta científica: o Efeito Mozart causava um aumento no QI dos alunos.

Alex apresentou isso como uma evidência de que Mozart era o maior compositor do mundo, superando Beethoven.

Efeitos comerciais da “descoberta”

Livro do Efeito Mozart - Don Campbell
Livro do Campbell

Não demorou para que a “descoberta” começasse a produzir consequências comerciais.

Em 1997, Don Campbell lançou o livro “O Efeito Mozart: Explorando o Poder da Música Para Curar o Corpo, Fortalecer a Mente e Liberar a Criatividade”.

Campbell afirma que, além de promover diversos benefícios mentais, ouvir Mozart (especialmente os concertos de piano) aumenta, temporariamente, o QI.

Ele recomenda tocar Mozart para auxiliar no desenvolvimento metal dos bebês. É o chamado Efeito Mozart para bebês.

Em seguida, Campbell escreveu um segundo livro “O Efeito Mozart Para Crianças” e criou diversos produtos relacionados.

Dentre os produtos, estão coleções de música que, segundo ele, utilizam o efeito Mozart para descanso profundo, rejuvenescimento, inteligência, aprendizagem, criatividade e imaginação.

O Efeito Mozart revela o poder da música para transformar a saúde, a educação e o bem-estar. (Campbell).

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Impactos políticos

A descoberta teve impactos políticos.

No ano de 1998, o governador do estado da Geórgia, nos EUA, anunciou que o orçamento anual passaria a incluir a despesa de U$ 105 mil dólares para disponibilizar a cada criança nascida um CD com música clássica.

Outros governos pelo mundo também decretaram medidas semelhantes.

Pesquisas mais recentes

Será que o Efeito Mozart tem, de fato, todo esse poder?

Em 1999, Christopher F. Chabris publicou o artigo “Prelude or requiem for the ‘Mozart effect?” na revista Nature demonstrando que “qualquer melhora cognitiva causada pelo Efeito Mozart é pequena e não reflete nenhuma mudança no QI ou na habilidade de raciocínio em geral”.

Para Chabris, a música de Mozart promove apenas uma pequena excitação cognitiva gerando, assim, um leve aumento na capacidade de raciocínio espacial.

Essa excitação seria muito específica e poderia ser gerada por outro tipo de música ou até mesmo por outro tipo de atividade.

O artigo de Chabris foi o primeiro balde de água fria no Efeito Mozart. O segundo, e mais forte, foi o relatório “Macht Mozart Schlau” do governo alemão publicado em 2007 pelo Ministério da Educação e Pesquisa.

O relatório oficial concluiu que “passivamente ouvir Mozart – ou outra música que você goste – não o torna mais inteligente”.

Afirmou, ainda, que “mais estudos deveriam ser feitos para descobrir se as lições de música poderiam aumentar o QI das crianças no longo prazo”.

Em resposta ao artigo de Chabris, também publicada pela Nature, o próprio Rauscher esclareceu o assunto:

Nossos resultados sobre os efeitos de ouvir Mozart têm gerado bastante interesse, mas muito desentendimento…nós não fizemos a afirmação de que ouvir Mozart aumenta a inteligência. O efeito é limitado a tarefas espaciais-temporais envolvendo imagens mentais e ordenação temporal (Rauscher).

Conclusão

Não há evidência científica de que ouvir Mozart (Efeito Mozart) aumenta a inteligência. Também não há sinais de que causaria algum tipo de prejuízo para o desenvolvimento intelectual.

Até mesmo os efeitos temporários e específicos que Rauscher encontrou são objeto de contestação por outros pesquisadores.

No entanto, ouvir uma música que você goste, antes de realizar uma tarefa, aumenta a excitação cerebral e o bom-humor, podendo gerar um desempenho um pouco melhor.

Isso também poderia ser provocado por outro tipo de atividade (não musical).

Em resumo, ouvir música faz bem, aumenta a motivação e o bom-humor, mas não o torna, necessariamente, mais inteligente!

E você? Gosta de ouvir música antes de iniciar os estudos?

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